O que de fato mudará na F1 a partir de 2021?

Uma nova e ousada
F1 vem aí, após as divulgações desta quinta-feira é isso que podemos imaginar
para a temporada 2021 da categoria que pretende trazer mais emoção ao público. Mas
o que realmente está mudando? Permita-nos falar sobre os principais pontos.

Uma mudança nítida
é o design dos carros com um novo visual marcante. Carroçaria atraente, asas
dianteiras simplificadas, asas traseiras maiores, aerodinâmica do carro melhorada,
dispositivos de controle de ativação das rodas, suspensão simplificada e pneus
de perfil baixo com jantes de 18 polegadas.

Também é proposto
que os aros das rodas sejam equipados com um painel de LED rotativo, para
fornecer informações aos espectadores, enquanto um painel no carro também é
proposto pelo mesmo motivo.

Embora a estética
tenha sido uma consideração importante, as mudanças descritas acima não são
apenas visuais, ao longo de vários anos, tanto a Fórmula 1 quanto a FIA vêm
trabalhando incansavelmente para projetar carros que possam competir mais de
perto.

A chave para isso
foi encontrar uma solução para a perda de força descendente que os carros atuais
experimentam ao correr no vácuo de outro carro. Correndo no ar sujo atrás de
outro carro, uma máquina de 2019 pode perder mais de 40% da força descendente.
Mas com o design do carro em 2021, isso cai para cerca de 5 a 10%, com o fluxo
de ar saindo dos carros novos, mais limpo e direcionado mais alto, o que
significa que tem um impacto significativamente menor nos pilotos que seguem,
dando a eles a chance não apenas de ultrapassar, mas batalhar.

Pela primeira vez,
a Fórmula 1 introduzirá restrições de gastos para tornar o esporte mais justo e
sustentável. Um limite de custo será fixado em US $ 175 milhões por equipe, por
ano e se aplica a qualquer mudança que cubra o desempenho na pista, mas exclui
os custos de marketing, os salários dos pilotos e os três principais
funcionários de qualquer equipe.

O limite de custo
da F1 encerrará a crescente lacuna de gastos entre os grandes investidores da
F1 e aqueles com menos recursos, e o diferencial de desempenho na pista.

Além das novas
regras financeiras, existem algumas grandes mudanças nos regulamentos técnicos
e esportivos. Foram estabelecidas regras para limitar as atualizações dos
carros nos fins de semana de corrida e o número de atualizações aerodinâmicas
na temporada, reduzindo a disputa entre os mais poderosos o que deixa a disputa
menos acirrada.

Também haverá a
introdução de certas peças padronizadas (como bombas de combustível), peças que
devem ter um design prescrito (como tampas das rodas) e restrições maiores no
número de vezes que alguns componentes, como pastilhas de freio, podem ser
substituídos.

As unidades de
força permanecem as mesmas, mas os sistemas de exaustão foram adicionados à
lista de componentes de PU com número limitado por temporada, com cada
motorista capaz de usar seis antes da penalidade.

Os carros serão 25 kg(768kg) mais pesados ​​por conta dos novos pneus, mudanças nos chassis e nos materiais de PU para economizar custos, medidas adicionais de segurança e a introdução de peças padronizadas e prescritas. Isso tornará os carros mais lentos do que os atuais, ao menos neste início de mudanças.

O design da caixa
de velocidades será mais restrito, com configurações fixas para economizar
custos de pesquisa e desenvolvimento. Enquanto isso, as mantas de pneus não
serão descartadas conforme proposto, permanecendo em 2021 e 2022, embora com
restrições.

Também haverá
mudanças pequenas, mas significativas, na estrutura do fim de semana de
corrida, que será condensada, a fim de melhorar a experiência dos fãs e ajudar
as equipes a lidar com um calendário extenso, com o número máximo de 25
corridas em uma temporada.

A entrevista coletiva
pré corrida será trocada de quinta-feira para sexta-feira, antes da primeira e
segunda sessões de treinos, enquanto os carros estarão agora em condições de parque
fechado desde o início do terceiro treino livre.

O treino livre 3,
também marca o ponto em que as equipes devem devolver seus carros à
‘especificação de referência’ apresentada para análise antes do treino livre 1.

Além disso, todas
as equipes devem realizar pelo menos duas sessões de treinos durante o ano
usando pilotos que tenham completado até duas provas, dando mais chances para a
próxima geração.

Em uma tentativa de
reduzir os custos de desenvolvimento aerodinâmico, o uso do túnel de vento foi
reduzido, com ênfase no uso de simulações de CFD (Computational Fluid Dynamics)
em detrimento das físicas.

Outras regras são
usadas para isso. Por exemplo, a mudança para pneus de baixo perfil não é
puramente estética. Os pneus de alto perfil usados ​​na F1 no momento tendem a
se mover e desviar muito, o que tem um impacto na aerodinâmica. As equipes com
os maiores orçamentos são capazes de analisar esses efeitos em detalhes e sendo
capazes de fornecer soluções que proporcionam uma vantagem sobre os outros. Um
pneu com uma parede lateral mais rígida não se move tanto, simplificando a
aerodinâmica e reduzindo o investimento em desenvolvimento.

Essas mudanças são
as maiores já feitas na categoria, mas ainda terá muita discussão sobre as
mudanças, e é claro que quando começar a temporada 2021 terá um estudo até
chegar a um resultado interessante para todos. O DRS neste primeiro momento
ainda seguirá, porém já existe uma vontade de tirá-lo.

Após o lançamento, umas das coisas mais faladas era que os carros iriam ser praticamente iguais, porém Nikolas Tombazis, diretor técnico da FIA, falou sobre o assunto.

“Esperamos que
haja inúmeras áreas em que os carros terão uma aparência diferente e entre
si”, disse Tombazis. “O nariz, a asa dianteira, a entrada do motor, a
entrada do lado lateral, o próprio formato do lado lateral, a parte traseira,
existem muitas áreas em que ainda vemos desempenho notável e diferenciação
visual”.

“Acreditamos
que demos um grande passo em direção ao desenvolvimento das regras que ainda permitem
que as equipes sejam criativas e os projetistas sejam criativos, enquanto
alcançamos os objetivos principais”.

Será uma nova fase na Fórmula 1, porém ainda teremos mais de um ano para engenheiros, FIA e F1 discutirem até começar na prática.

Fotos: F1