Coluna do Borracha: ‘A brilhante noite asiatica’

Nada mais propicio que uma corrida noturna para se ver o brilho das estrelas pelas ruas de Singapura. Indiscutivelmente esse é um dos mais disputados e imprevisíveis campeonatos da Fórmula 1 dos últimos tempos, mas não quer dizer que é dos melhores. Ele me lembra um pouco o de 1982 em que o Keke Rosberg foi campeão ganhando apenas uma corrida, e conseguiu chegar ao título pela sua regularidade durante toda a temporada.

Mas vamos falar da ex-colônia inglesa. A pista de rua é desafiadora e tem pitadas de Fórmula Indy, se não tiver safety car não tem graça, até porque geralmente o pole position larga sempre bem e desaparece, deixando para os outros coitados toda a confusão lá atrás. Dessa vez a confusão foi com o Felipe que tomou um toque e teve que mudar toda a estratégia, que acabou dando certo por causa do safety que entrou lá pela metade da corrida, um brilho de estrela necessário às pretensões dele em continuar na categoria ano que vem e que, segundo algumas publicações européias deve estar pra lá de certa, afinal não existe realmente hoje um segundo piloto melhor para a Ferrari. Mesmo quando ele e o Bru no se estranharam em uma curva o Massa se manteve firme e superou o atual piloto da Williams.

Aliás, isso é um fato preocupante, parece que o Bruno Senna perdeu um pouco o foco e esta se atrapalhando a cada corrida. Independentemente do carro ser bom ou não, ele tem tomado pau do Maldonado quase em todos os treinos e seguidamente durante as provas. Eu acredito que isso se deva ao fato de, como piloto pagante que é e estar chegando ao fim a temporada sem mostrar realmente muita coisa, o sino do “vou ficar sem banco” deve estar tocando muito forte na cabeça dele. A manobra com o Massa foi no mínimo ridícula, coisa de carro disputando vaga no retorno em plena Avenida 23 de maio na hora do rush. Na verdade, e na minha humilde opinião, os dois erraram, foram afoitos, mas não deveria o Bruno fazer o que fez, tanto que foi penalizado na próxima corrida junto com o já não tão fantástico Schumacher.

Schumy realmente tem que pensar seriamente em parar, não só pela batida, mas por começar a apagar da memória de todos o incomparável piloto que ele foi no inicio desse século. Acho que ele já deu a sua grande contribuição à Mercedes e, eu acredito que é realmente chegada a hora de ir pra casa pescar e abrir de verdade o espaço pro Lewis Hamilton trocar a McLaren pela escuderia da estrela de três pontas. O resultado do inglês foi o pior possível, praticamente o deixou com mínimas chances de brigar pelo campeonato desse ano por conta de uma enorme desvantagem que acabou acumulando com o problema no câmbio.

Mas falando em estrelas, a que continua brilhando é a do Alonso, sorte de campeão diriam alguns, o melhor piloto em atividade diriam outros, eu diria que, sem tirar o mérito dele como grande piloto, ele vive hoje mais da incapacidade dos outros do que de méritos da sua equipe. A “sorte” em conseguir manter a já famosa regularidade durante todo o campeonato fez com que conseguisse uma distância segura e transformasse a missão dos outros em quase impossível.

Impossível e imponderável são palavras que não aparecem no dicionário do Vettel. Como no primeiro titulo que ele conquistou, parece que o jogo começa a virar pro lado dele. Apesar o seu capacete pra lá de brega, com os LEDs piscando intensamente e a pintura aproveitando a luz artificial para criar novos efeitos, a cabeça do bicampeão tem apenas um foco, buscar o Fernando, digo isso porque pra mim o campeonato acabou pros outros e deve ficar somente entre os dois, não pela falta de chance dos demais pilotos, mas pelo quase impossível fato do espanhol deixar de pontuar em várias etapas, e ficando nas mãos do alemão a grande chance de mudar o rumo, se atirando de corpo e alma na disputa. Em termos práticos, ele tem que ganhar as seis últimas corridas e mesmo com o Alonso chegando em segundo, ele levaria o titulo por apenas um ponto. Acontece que os dois não correm sozinhos e nem sempre o tempero sai do jeito que o cozinheiro quer, mas vai ser interessante ver as duas estrelas que correm em busca do terceiro campeonato na carreira, polarizar essa briga. Falta a Vettel um carro mais confiável, falta a Alonso uma vitória pra jogar a pá de cal na cara dos adversários, mas vai sobrar muito para os satélites, na hora das duas estrelas brilharem na disputa os companheiros de equipe e os que precisam mostrar serviço devem ajudar um e atrapalhar outro, coisas da vida, coisas do automobilismo.

Vou ficando por aqui apenas lembrando que a falta de comando no automobilismo brasileiro faz com que coisas absurdas aconteçam. A corrida do milhão da Stock Car vai ser realizada no mesmo dia do desafio das estrelas de kart, a corrida mais badalada do Brasil no mesmo dia da disputa mais internacional que temos depois das Fórmulas 1 e Indy. Depois o chato sou eu…

A gente se encontra na semana que vem!


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